“– Escolhe a tua estrela favorita – disse ele naquela noite. Ele disse que podia ficar com ela para mim. Ele disse que era o meu presente de Natal.
– Você não pode me dar uma estrela! – falei. – Ninguém é dono de uma estrela.
– É isso aí – disse ele. Nenhuma outra pessoa tem uma estrela. […]
Pensei bem e chegue à conclusão de que o papai estava certo. Ele sempre descobria umas coisas assim.
Eu podia ter qualquer estrela que quisesse, disse, menos Betelgeuse e Rigel, porque a Lori e o Brian já tinham declarado que elas eram deles.
Levantei os olhos, olhei as estrelas e tentei decidir qual era a melhor de todas. Dava para ver centenas, talvez milhares ou, até, milhões, brilhando no céu claro do deserto. Quanto mais tempo você olhava, mais os olhos se acostumavam ao escuro, mais estrelas você enxergava, camada por camada tornando-se visível. Havia uma em particular, a oeste, sobre as montanhas, mais baixa no céu, que brilhava com mais força do que todas as outras.
– Quero aquela – falei.
Papai sorriu.
– Aquela é Vênus – disse ele. – Vênus é apenas um planeta bem chinfrim se comparado às estrelas de verdade. Ele parece maior e mais brilhante porque está muito mais perto do que as estrelas. O pobrezinho de Vênus nem produz sua própria luz. […]
– Gosto dele mesmo assim – falei. Eu já admirava Vênus, mesmo antes daquele Natal. Dava para vê-lo de manhã, depois que todas as estrelas já tinham desaparecido.
– Ora bolas – disse papai. – É Natal. Você pode ter um planeta se quiser.
E ele me deu Vênus.”
Walls, Jeannette. O Castelo de Vidro.